domingo, 26 de outubro de 2008

The Challenger [1979]



Aka: The Deadly Challenger
Diretor: Eric Tsang Chi Wai
Diretor(es) de ação: Huang Ha, Chik Ngai Hung
Elenco: Norman Chu, David Chiang, Philip Ko Fei, Lilly Li, Peter Chan Lung, Eric Tsang Chi Wai, Mars, Huang Ha, Tai Bo, Alan Chui, Alan Chan Kwok Kuen.


O atormentado Chin Cheng Hung (Norman Chu) tem apenas um objetivo na vida: vingar o sofrimento e posterior morte da esposa, causada pelo terrível Pao Shen Chang (Philip Ko Fei). Pao, sem nenhum motivo aparente (os motivos não são explorados no filme), resolve estuprar a esposa de Chin e para maior desgraça do casal, ela acaba ficando grávida. Gravidez problemática, Chin cuida da mulher com todo o zelo e carinho, mas a coitada morre no parto. O destino da criança ninguém sabe também, mas é provável que tenha morrido junto com a mãe.





Chin Cheng Hung sai em busca do inimigo, porém sem saber muitos detalhes sobre ele. Tudo o que Chin sabe é que Pao é dono de uma escola de kung fu e começa a desafiar todos os mestres da cidade, tocando o horror em cada escola que passa. Pao descobre a movimentação de Chin e começa a armar um esquema pra se livrar dele, “contratando” os serviços de um jovenzinho mercenário (David Chiang), que não é assassino, mas que por dinheiro topa qualquer negócio. Cheng Hung, por sua vez, oferece mais dinheiro ainda ao jovem e este lhe conta todos os planos de Pao, surgindo entre eles uma certa amizade. Os dois se unem contra o vilão, mas o jovem visa algo mais além de ajudar o amigo.





Seguindo a sugestão do amigo Luis Antônio, eu resolvi baixar esse filme e não fosse por ele, eu teria demorado muito pra conhecer essa maravilha. Eu já sabia da existência desse filme e pretendia “adquiri-lo” um dia, mas o entusiasmo dele me fez apressar as coisas. Tudo em The Challenger é excelente: a história, o humor, a direção, as lutas e os atores. Nunca tinha prestado a devida atenção no Norman Chu e descobri que além de ser um ótimo ator e esforçado lutador, ele também é muito bonito. Um tipo de carisma diferente, jeito de menino. Philip Ko Fei só fez confirmar a presença dele na minha lista dos melhores, com seus movimentos perfeitos, combinando força e beleza. Já David Chiang, que conta com seus maiores clássicos dentro da Shaw Brothers, fez os seus melhores filmes (ou pelo menos os mais animados) justamente fora da Shaw. Em filmes independentes, como o próprio The Challenger, Challenge Of The Shaolin Disciples, Return Of The Deadly Blade, entre outros, ele teve uma melhor atuação e fez também as melhores lutas, monstrando sua agilidade, sua veia cômica e suas habilidades de dublê.

Nota: 9.5


[o drama de chin cheng hung]
como eu disse na descrição do vídeo: "a melhor parte do filme"




[norman chu contra um dos coreógrafos do filme]


quinta-feira, 3 de julho de 2008

Li Yi Min: dose tripla

Li Yi Min foi, com certeza, um dos mais carismáticos atores de filmes de kung fu, dono de um sorriso cativante e de muitas habilidades. A única coisa realmente desapontante sobre ele é o fato de ele sempre ter usado dublês. Ele era mais um dos milhões que cresceram dentro de uma escola de ópera e por isso mesmo eu não consigo achar uma explicação plausível pra tantos dublês. Pra coisas “simples” como um mortal pra frente ou pra trás, um salto ou uma estrela, lá estava um cara esquisito usando uma peruca fajuta executando os movimentos no lugar dele.

Mas Li Yi Min ainda conseguiu “ousar” em alguns filmes, usando dublês em pouquíssimas cenas, e é justamente sobre essas “ousadias” que eu vou falar nesta postagem. Vou falar brevemente sobre 3 filmes: Crazy Guy With Super Kung Fu, Shaolin Iron Claws e Man Hunt.


[ Crazy Guy With Super Kung Fu, 1979 ]



Aka: 3 Donkeys
Diretor: não especificado
Diretor(es) de ação: Peng Kang
Elenco: Li Yi Min, Sun Jung Chi, Peng Kang, Kam Kong, Chen Chin Hai, Dean Shek Tien, Mark Long, Lee Kwan, Cheng Fu Hung, Wong Chi Sang, Su Chen Ping.

A cópia que eu baixei desse filme foi a pior existente, a da Video Asia, cheia de cortes. Mas mendigos não podem reclamar, não é mesmo? Muitas cenas que vocês vão ver no trailer não constam nessa versão, na qual os cortes são bruscos, prejudicando o andamento cronológico da história. Mas mesmo assim o filme é muito bom.

Li Yi Min, junto com mais 2 amigos (Sun Jung Chi e um gordinho que eu não sei quem é), trabalha como vendedor de tofu. Depois de arrumarem uma confusão daquelas, os 3 são despedidos e pra conseguirem dinheiro resolvem capturar os membros de uma gangue e abocanhar a recompensa oferecida pela cabeça deles.



A personagem de Li Yi Min é super assediada por praticamente todas as mulheres da cidade, velhas ou novas, até mesmo o membro gay da gangue (Chen Chin Hai) cai de amores por ele, rendendo muitas cenas engraçadas. O vilão do filme (Peng Kang) é um cara atormentado que se tornou mau por falta de amor na infância e o final dele é bastante inusitado e emocionante até. As lutas são muito boas e Li Yi Min faz boa parte dos movimentos perigosos, só usando dublês em algumas cenas da luta final. Outro destaque é um ator indiano que surge no nada e desaparece do nada (culpa dos cortes) muito simpático e engraçado (boa parte dessa graça se deve à dublagem, hehe).

Apesar de Mark Long receber destaque nas capas do filme, ele tem uma participação ínfima e insignificante, aparecendo só pra lutar contra o vilão e morrer.

[trailer]



Nota: 7.5



[ Shaolin Iron Claws, 1978 ]



Aka: Hawk’s Fist
Diretor: Ko Shih Hao
Diretor(es) de ação: Ko Pao
Elenco: Don Wong Tao, Li Yi Min, Chang Yi, Chan Sing, Hwa Ling, Chang Chi Ping, Ching Kuo Chung, Shih Ting Ken.

“Tell your commander...he's the nicest son of a bitch”

Uma palavra apenas resume esse filme: MARAVILHOSO. Li Yi Min é um dos vilões aqui e que vilão ele fez. Ele era muito bom nisso e é uma pena que não tenha feito mais papéis como esse. Don Won Tao é o herói, um delegado que põe as mãos numa lista de rebeldes contrários ao governo Ming. Chang Yi é o vilão principal, bem ao estilo da personagem dele em 7 Commandments Of Kung Fu. A história é inteligente e muito bem conduzida e o destaque de atuação vai obviamente para Li Yi Min, que incorporou o amigo falso e maldito com maestria. As coreografias são excelentes e novamente Li Yi Min fez a maioria das cenas difíceis.


[trailer]


Nota: 9.5



[ Man Hunt, 1978 ]


Diretor: Kong Yeung
Diretor(es) de ação: Philip Ko Fei
Elenco: Li Yi Min, Lee Ying Ying, Lo Lieh, Philip Ko Fei, Cheung Lik.

Esse era um filme que prometia, pela possibilidade de uma história diferente, mas no final acabou sendo só impressão. Li Yi Min é o General Lau, um patriota que luta contra a invasão Mongol na China e que se apaixona por uma menina pobre (Lee Ying Ying) que, junto com sua mãe (uma versão chinesa da Diana Ross), rouba roupas de cadáveres pra trocar por comida. As lutas foram idealizadas por Philip Ko Fei, que usou e abusou de técnicas complexas nas coreografias e o resultado foi excelente. O que empobreceu o filme foi o romance sem graça dos dois protagonistas. Eu esperava mais dessa história de amor, mas infelizmente não deu pra salvar nada dos diálogos pobres e das cenas de sexo mal feitas. Falando em sexo, o diferencial está justamente aí: Li Yi Min não usou dublês nas lutas mas usou nas cenas de sexo! A atriz também foi dublada e o resultado foi muito tosco. A coisa só começa a ficar legal mesmo na luta final, com Li Yi Min usando o estilo do gato contra o vilão Lo Lieh. Uma pena que o desfecho tenha sido tão curto.


Nota: 6.5

[introdução]






Depois de séculos sem atualizar e de ficar 2 meses inteiros enrolando com esse texto, finalmente eu consegui voltar. Quero agradecer novamente à todos que prestigiam esse blog e que mandaram seus parabéns, principalmente aos “retardatários”, hehe. Muito obrigada!!!

domingo, 9 de março de 2008

Vengeance! [1970]



Aka:
Ba Shou, Kung Fu Vengeance, Deadly Duo.
Companhia: Shaw Brothers
Diretor: Chang Cheh
Diretor(es) de ação: Yuen Cheung Yan, Tong Gaai.
Elenco: David Chiang Da Wei, Ti Lung, Wong Ping, Alice Au Yin Ching, Ku Feng, Chen Sing, Yeung Chi Hing, Wong Ching Ho, Chuen Yuen, Hoh Ban, Cheng Lui, Cliff Lok, Shum Lo, Chen Kuan Tai, Jason Pai Piao, Fung Hak On, Bruce Tong, Yen Shi Kwan, Yuen Woo Ping.

Guan Yulou (Ti Lung) é o astro de uma trupe de artistas da Ópera de Pequim que caiu na desgraça de se casar com uma mulher de caráter muito duvidoso (eu poderia dizer “vagabunda”, mas certos eufemismos eu não consigo evitar). Pra completar o azar, dois vilões caem de “amores” (eufemismo de novo) por ela e eles não medirão esforços pra saciarem-se. Yulou tenta defender o seu território mas ele não é forte o suficiente contra essa teia de intrigas. Numa partida de mahjong, o destino dele é selado e entre os 4 jogadores está um dos tarados interessados em sua mulher: Feng Kaishan (Ku Feng). O outro tarado é o general Hu Hucheng (ou Generalíssimo, segundo a legenda, interpretado por Hoh Ban), figura misteriosa que só vai mostrar a cara no final do filme. Feng Kaishan é apenas um instrumento na conspiração e depois que Yulou é eliminado (estraçalhado é o termo mais correto), como um bom lacaio, ele não poderá “cair de boca” na viúva pois terá de ceder o privilégio ao chefe general.


Chega a cidade um homem com uma cara de “quem comeu e não gostou” e ficamos sabendo que essa criatura é Guan Xiaolou (David Chiang Da Wei), nada mais nada menos que o irmão de Guan Yulou. A cara feia dele agora está explicada, ele veio pra se vingar. Munido de um facão, muitos cigarros e com muito ódio no coração, Xiaolou começa pela cunhada mas descobre que ela não é mais o objeto de desejo e que as atenções se voltaram pra irmã dela, Hua Zheng Fang (Wong Ping), seu antigo amor. Depois de um revival sexual, Xiaolou e Zheng Fang combinam de juntos acabarem com Feng Kaishan. Feito isso, faltam agora os outros membros da mesa de mahjong mas um deles resolve se aliar a Xiaolou. Ambos armam um plano pra pegar o Generalíssimo e tudo daria certo não fosse a deslealdade do velho. Ele quis se aproveitar do desejo de vingança do desventurado irmão e depois se livrar dele. Mas sagaz como ele só, Guan Xiaolou dará muito trabalho.


Vengeance! é um dos trabalhos mais aclamados de Chang Cheh, rendendo à ele e ao protagonista David Chiang os prêmios de melhor diretor e melhor ator, respectivamente, no Asian Film Festival de 1970. Mas, porém, contudo, entretanto e todavia, eu esperava mais desse filme. O que move a história, ou pelo menos deveria mover, é a profunda ligação entre os dois irmãos, mas isso se perde depois dos 17 minutos iniciais, tempo de duração da personagem de Ti Lung. A figura dele fica esquecida e o foco é transferido pro romance água com açúcar entre David Chiang e Wong Ping, só sendo retomada muito brevemente no final. Tem também todo o mistério envolvendo a figura do general, que me fez pensar ser alguém muito importante e interpretado por algum ator famoso, mas no final acaba sendo nada demais. Apesar desses pequenos detalhes o filme ainda é bastante interessante e é um dos melhores espécimes da fase mais sanguinária de Chang Cheh e da era basher dos filmes de kung fu.

Alguns detalhes da temática do filme foram reaproveitados anos mais tarde pelo diretor, nos filmes Attack Of The Joyfull Goddess (1984) e The Warrior (1985). No primeiro, a confusão toda começa depois que o ator principal de uma trupe da Ópera é assassinado, deixando o caminho “livre” pra um general (tentar) se apossar de sua namorada. No segundo, algumas técnicas de flashback usadas em Vengeance! foram repetidas, dando maior dramaticidade às cenas de sofrimento. Durante toda essa fase pós Shaw Brothers, Chang Cheh pareceu desanimar um pouco e usou e abusou das repetições, caindo consideravelmente em qualidade. A única exceção dessa fase talvez seja o maravilhoso Shanghai 13.

Nota:
8.0

[trailer original]


[trailer celestial]


[a morte da personagem de Ti Lung]



[ Hong Kong Old School completa esse mês um ano, então parabéns pra mim (hehehe) e muito obrigada a todos que visitam e prestigiam esse humilde blog! ]

terça-feira, 8 de janeiro de 2008

Five Elements Ninjas [1982]


Aka: Wu dun ren shu, Five Element Ninjas, Super Ninjas, Chinese Super Ninjas, O Super Dragão Chinês.
Companhia: Shaw Brothers
Diretor: Chang Cheh
Diretor(es) de ação: Ricky Cheng Tien Chi, Chu Ko.
Elenco: Ricky Cheng Tien Chi, Michael Chan Wai Man, Lo Meng, Chen Pei Hsi, Kwan Feng, Chan Shen, Lung Tien Hsiang, Wong Wai Tong, Siao Yuk, Wong Wa, Lam Chi Tai, Ngai Tim Choi, Chiu Gwok, Chow Siu Loi, Wang Li, Chu Ko, Chui Tai Ping.

Até que enfim o mais maravilhoso filme de ninja já feito, o favorito de 9 entre 10 fãs da boa e velha escola, recebeu os cuidados da Celestial e com a remasterização vieram algumas revelações. Diferente do que se pensava, os Venoms Lu Feng e Chiang Sheng não participaram das coreografias. Nesse mesmo ano, os dois já haviam deixado a Shaw Brothers, retornado a Taiwan e estavam participando da primeira experiência de Kuo Chui como diretor, um filme chamado Ninja In The Deadly Trap (esse foi o primeiro e único filme dirigido por ele). Outra revelação diz respeito aos cortes, a maioria deles feitos em cenas não importantes com a óbvia intenção de encurtar o filme pra caber nas programações de TV. As exceções são a cena em que aparecem os seios de uma ninja e o desfecho do filme, que aliás, é muito melhor do que eu imaginava. Vários atores desconhecidos até então tiveram suas identidades descobertas, entre eles Wong Wa, figura freqüente em vários filmes dos Venoms, sendo o papel de surdo-mudo em The Sword Stained With Royal Blood (81) o de maior destaque feito por ele.

Five Elements Ninjas foi concebido pra estréia de Cheng Tien Chi (aka Ricky “Oh, que lindo!” Cheng. Pra quem não entendeu, é um trocadilho com o título Ricky Oh – A História de Ricky...tá, é horrível, mas por favor relevem, sim?) como protagonista na Shaw Brothers, a “nova aquisição” de Chang Cheh (como diz no trailer). Mas de nova essa aquisição não tem nada. Muito antes, em 76, Cheng estreou na SB em um filme do próprio Chang Cheh chamado The Shaolin Avengers, protagonizado por “Alex” Fu Sheng e Chi Kuan Chun. Muito provavelmente Cheng foi descoberto no mesmo período (início dos anos 70) em que os já citados Lu Feng e Chiang foram, já que os 3 cursaram juntos a mesma escola de ópera em Taiwan.


“The ninja costumes and the weaponry’s production and application are based on the historic literature ‘The Illustrated Criminal Acts in Tokugawa’s Shogunate’, ‘The Best Capturing Weaponry Of Southern Barbarians’ and ‘The Catalog Of Batons’. Other references include the collections of Matsunaga and Teruo Doi, and the literary works by martial artists Hatsumi Masaaki and Nawa Yumio.”

Os membros da Aliança foram desafiados por uma escola rival e neste duelo ficaria estabelecido quem seriam os “líderes do mundo marcial”. Depois de 9 combates a vitória da Aliança estava praticamente garantida, mas na décima e última luta o chefe da escola do mal (Chan Shen) chama o aliado samurai Kuwada San (Wong Wai Tong) pra lutar em seu lugar. Kuwada San derrota o seu rival e o induz ao suicídio (“When a fighter loses one strike it means losing his life” ou ainda, na versão dublada: “Loss of a fight means loss of one’s life for a samurai”). O emuxo se suicida e Zhi Sheng (Lo Meng) vai dar um corretivo no japonês, que agora é obrigado a cumprir a sua própria filosofia. Antes do arakiri ele aconselha o chefe do mal a procurar pelo seu amigo ninja Kembuchi Mudou (Michael Chan Wai Man) e envenena o chefe da Aliança.


Kembuchi, o “Rei dos Ninjas”, chega à cidade e prontamente envia um desafio à Aliança. Mestre Yuan (Kwan Feng) não pode lutar devido ao envenenamento e nem sabe como instruir seus discípulos a enfrentarem os “Ninjas dos 5 Elementos” de Kembuchi Mudou. Esses ninjas se dividem em 5 grupos: ouro, madeira, água, fogo e terra. Os do elemento ouro usam roupas douradas e chapéus que ofuscam a visão das vítimas; os do segundo elemento se disfarçam de árvores e usam ganchos nas mãos e nos pés; os da água se escondem embaixo d’água; os do elemento fogo usam fumaça pra atrapalhar os adversários e os da terra “brotam” do chão. Mesmo na total ignorância, o mestre delega os seus melhores alunos a enfrentarem a situação: 8 deles vão sair a procura dos elementos e 2, Zhi Sheng e Xiao Tian Hao (Ricky Cheng Tien Chi), vão ficar pra fazer a segurança interna da Aliança. Os 8 são massacrados e agora todo o encargo está nas mãos dos 2 que ficaram.


Zhi Sheng acolhe, contra a vontade de Tian Hao, uma moça que estava sendo espancada às portas da escola. Ah Shun (Chen Pei Hsi) é uma garota boazinha, mas Tian Hao não vai com a cara dela, passando a maltratá-la e toda essa “implicância” dele é vista como infantilidade. Ele perseguia a mulher em todos os lugares, ficava de olho em tudo que ela fazia e mesmo sem saber ao certo, Tian Hao tinha acertado na mosca em suas suspeitas. Ah Shun na verdade é Junko, uma espiã enviada por Kembuchi com a missão de fazer um mapa do QG da Aliança, pra facilitar a invasão. Zhi Shang se tomou de amores por Ah Shun e sempre que Tian Hao estava prestes a descobrir a identidade dela, ele chegava pra impedir (“Pô, Tian Hao, pára de assustar a menina!” - mais tarde Zhi Shang pagaria caro por essa santa ingenuidade.). Kembuchi recebe o mapa de Junko e da destruição da Aliança temos apenas um sobrevivente, quem será ele? O sagaz (e sortudo) Xiao Tian Hao. Ele é salvo pela ninja espiã e mantido preso. Enquanto ele está lá preso, descobrimos que ele é ainda mais sagaz do que imaginávamos. É que ele, tempos atrás, aprendeu algumas técnicas ninjas com um velho mestre. Junko vai fazer uma visitinha a ele, se derrete toda, diz que é apaixonada por ele, tira a roupa...mas Tian Hao se aproveita desse momento de distração e prega uma peça na ninja excitada, tomando-a como refém e fugindo logo depois.


Tian Hao vai recorrer ao velho mestre e pedir que ele ensine mais sobre o ninjitsu. Lá ele encontra mais 3 discípulos do velho (Wang Li, Chu Ko e Chui Tai Ping) dispostos a ajudar na vingança e depois de muito treinamento ele desafia os ninjas de Kembuchi. Junko foi punida depois de ter se entregado àquele momento de luxúria e de ter se esquecido de manter o seu posto, mas Kembuchi resolve perdoar essa falha se ela descobrir todos os detalhes da vingança de Tian Hao. Ela vai até ele, mas não resiste e começa tudo outra vez. Dessa vez o espertão dá bastante corda, mas coitada, ela tem mais uma surpresa desagradável (quem mandou ser tão perva?). Agora com meia alma lavada, Tian Hao precisa lavar a outra metade, acabando com a raça da corja de ninjas.


Assistir a esse filme umas mil vezes na versão tosca disponível da Ground Zero me deixou mal acostumada, literalmente falando. Habituada ao enquadramento mutilador e à dublagem tosca, eu tive certa dificuldade (acreditem!) em assimilar a beleza da nova versão. Eu não pude evitar o vício de prestar atenção somente nos ângulos que a imagem em fullscreen me permitia, ignorando o resto da cena. A dublagem em alguns momentos fez, digamos, “falta”, já que a maioria das falas eu sei de cor. Ver frases como “as tripas dele estão pra todo lado!” ser substituída por “ele foi estripado!” definitivamente não tem a mesma graça.

Em linhas gerais a história não foge do clichê da vingança, mas são os detalhes que fazem o filme ser extremamente empolgante. Além do fator gore com pessoas esquartejadas e um homem que tropeça nos próprios intestinos, Chang Cheh introduziu várias situações de suspense, lógica, emoção, erotismo, sarcasmo e ironia, conduzidas sabiamente e mescladas de um modo irresistível. Sem contar as dúvidas sobre os reais sentimentos da ninja e do herói que ficam no ar e que te levam à considerações “psicológico-filosóficas”, como se isso fosse uma coisa muito importante e que fizesse parte da sua realidade. A história evolui em vários ciclos e nenhum detalhe relevante se perde. As coreografias são excelentes, como já era de se esperar, sendo todas as lutas armadas e com poucas acrobacias, coisa incomum em se tratando dos coreógrafos. Mas isso não empobrece as cenas desse clássico absoluto, muito pelo contrário!




[trailer]


Nota: 10!

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Outro filme de ninja bastante aclamado é o Ninja In The Dragon’s Den, também de 82. É considerado por uma outra parcela (menor, felizmente) de fãs o melhor filme sobre o tema. Eu reconheço que o filme é divertido e que a parceria entre Conan Lee (que está a cara do Jackie Chan) e o incrível Hiroyuki Sanada foi muito boa, mas não me causou o mesmo impacto que Five Elements Ninjas causou.


Ainda em 82, Kuo Chui (aka Philip Kwok) estreou como diretor com o filme Ninja In The Deadly Trap (já citado no primeiro parágrafo da resenha). O filme só foi lançado 2 anos depois por causa de uns problemas com a tríade (Kuo Chui mafioso?) e é tido como uma espécie de “resposta” ao Five Elements Ninjas. A produção é boa, com ótimas lutas (Kuo Chui + Lu Feng + Chiang Sheng — tem como ser ruim?) e de fato existem algumas semelhanças com a obra de Chang Cheh (vocês podem conferir a resenha feita pelo amigo Takeo aqui). Mas poxa, será que “Phil” Kwok seria capaz de uma bichisse dessas? *Na segunda foto, Chiang Sheng e Lu Feng dando uma ajudinha, vestidos de ninja*


Nesse mesmo ano ainda (essa é a última "coincidência"), Sammo Hung inseriu alguns ninjas no filme The Prodigal Son, numa seqüência relativamente curta. Na verdade não fica especificado se eles são ninjas ou não, mas convenhamos, um bando de homens de preto, agindo silenciosamente e andando com aqueles passos apertadinhos não pode ser outra coisa, né?


Em 83 (acabou, viu?) Ricky Cheng atuou em Ninja Hunter, seu segundo filme de ninja, ao lado de Jack Long, Mark Long e Alexander Lo Rei. As lutas são excepcionais e temos Jack Long encarando muito bem um vilão que quer destruir o Templo Shaolin com a ajuda de um bando de ninjas.


Há vários outros filmes ainda que são dignos de menção (e tem vários ainda que eu nem sequer assisti), mas eu me limitei a escrever apenas sobre os mais relevantes que foram lançados na mesma época em que o Five Elements Ninjas foi. Eu escrevi pra caramba dessa vez e se você teve paciência de chegar até aqui...muito obrigada, hehe.

sexta-feira, 14 de dezembro de 2007

Life Gamble e House Of Traps: últimas análises

Como o blog está há mais de 1 mês parado (culpa da intensa rotina de vestibulares por aí afora) eu resolvi ressuscitá-lo fazendo breves comentários (pela última vez) sobre Life Gamble e House Of Traps, que eram as produções mais obscuras e mais maltratadas dos incríveis Venoms. Eu fiquei devendo uma “confirmação” sobre a qualidade deles, pois aí está, abrindo a nova onda de atualizações desse humilde espaço chamado Hong Kong Old School.

[ LIFE GAMBLE ] Um diálogo romântico:

"— I'm tired of killing these years. I've heard that the farmers of ginseng live peacefully. Teach me to be a ginseng farmer, ok?"
"— I don't know it, but I can learn together with you."


Um brado heróico:

"— What a dangerous world! Money is evil!"

Essas e outras palavras bonitas você vê no filme Hidden Hero, de 1991. É um remake do filme Life Gamble feito pelo próprio Chang Cheh, com algumas modificações na história e nas personagens. O elenco é completamente desconhecido e as lutas são razoáveis. Vale mais pela raridade mesmo e, se eu não me engano, não existe mais pra vender em nenhum lugar.


Todos estão interessados em uma valiosa peça de jade que foi roubada por um grupo de 4 ladrões. Os 4 (Dick Wei, Bruce Tong, Lau Wai Ling e Suen Shu Pau) não querem dividir o dinheiro da peça e resolvem apostá-la, convidando o “Rei das Apostas” (Johnny Wang Lung Wei) pra ser o banqueiro. Essa reunião dos apostadores tende a um massacre, já que todos querem a jade. Enquanto isso, os oportunistas se movimentam, conspirando uns contra os outros: Mo Jun Feng (Lo Meng), que sem as suas 7 adagas mortais não é ninguém, acompanhado da “beleza mortal” Xiao Qiang (Lin Chen Chi); a promíscua Shuang Shuang (Shirley Yu) e o próprio “Rei das Apostas”


Qiu Zi Yu (Kuo Chui) é um especialista em armas que, depois de ser atraiçoado anos atrás por Yan Zi Fei (Lu Feng), ficou "xuUupEr trAuMatiZadUu" e jurou nunca mais fazer armas de novo. Mas as coisas mudam quando o encarregado de escoltar a relíquia, Mestre Nan (Lee I Min), pede a Qiu que ele resgate a jade. Yan Zi Fei perde a mão em uma luta contra o “Chicote Mortal” (Chiang Sheng) — todo mundo é mortal nesse filme — e fica “xuUupEr ARrePenDidUu”, se ajoelhando aos pés de Qiu implorando por perdão. Qiu faz uma mão mecânica pro desgraçado (igual àquela do Crippled Avengers) e juntos vão resgatar a peça. Ao devolvê-la, Qiu descobre que Mestre Nan é mais um interessado na jade.

O filme começa a ficar legal mesmo depois de uns 50 minutos, quando a aposta e a matança começa, terminando com o incrível embate contra Lee I Min, que está excelente como vilão.

[fotos]






[trailer]



Nota: 8.0

[ HOUSE OF TRAPS ]
Como eu já falei sobre ele antes aqui no blog, eu não vou me demorar muito. Vou dizer apenas que eu adorei, o filme é excelente. Ver ele remasterizado foi a confirmação disso. A história é ótima, divertida e o final é muito bizarro, digno de boas risadas. O destaque maior vai pra atuação de Kuo Chui, principalmente quando ele narra a “saga do roubo do selo”. Muito bom!!!

[fotos]





[trailer]



Nota: 9.0

domingo, 4 de novembro de 2007

Exciting Dragon [1985]



Aka: Drunken Dragon
Companhia: Sun Yah Film Co.
Diretor: Chiu Chung Hing
Diretor(es) de ação: Chiu Chung Hing, Chin Lung, On Gam Tin, Sam Ching Wai.
Elenco: Suen Kwok Ming, Chiang Sheng, Philip Ko Fei, Chow Mei Yee, Leung Kar Yan, Chin Lung, Yeung Hung, Lam Gwong Wing, William Yen, Chen Chin Hai, Yue Gam Bo.

Exciting Dragon...Drunken Dragon...já aviso que todos esses títulos não têm nada a ver com o filme. Esse é mais um filme B e uma comédia nonsense típica dos anos 80, dirigida por um dos discípulos de Yuen Woo Ping. Eu vi poucos filmes desse Chiu Chung Hing. Na verdade foi apenas um, The Brave Archer (1977). Ele é um dos membros dos “Weird Seven” e como aconteceu com vários integrantes do elenco, ele deixou a série logo no primeiro filme.


O malvado mestre Tung Fu (Philip Ko Fei) precisa pegar uma espada muito poderosa, guardada num templo taoísta. Junto com seus seguidores, um grandalhão surdo-mudo com uma vela na cabeça (Yeung Hung) e um cabeçudo esquisito, ele abate o guardião da espada (um monge num barquinho com rodas e que luta com os remos, interpretado por Chin Lung) e descobre que pra pegar a arma ele precisa da Armadura das Sete Estrelas. O monge do barquinho avisa que a armadura não está mais no templo e que ela está sob os cuidados de um ex-mestre. Tung Fu, é claro, sai a procura da armadura, custe o que custar.


Na verdade, o ex-mestre em questão é a Vovó (Chiang Sheng), a velhinha mais amorosa e boazinha do universo. Ela é a avó de Doggy (Suen Kwok Ming), o herói da história, e ele está prestes a se casar com Tiger (Chow Mei Yee), uma amiguinha de infância. Acontece que ele não vê Tiger há 10 anos e ele nem se lembra mais do rosto dela. Ele fica assustado (apavorado, mais precisamente) ao descobrir que a moça tem duas vezes o tamanho dele, mas logo ela se mostra uma garota corajosa e boa lutadora e ele passa a gostar dela.


A Vovó tem conhecimentos de mágica taoísta e usa essas habilidades pra curar as pessoas. Durante um ritual, ela é hipnotizada por um concorrente do ramo da “medicina” e, sem querer, acaba usando a armadura pra se defender. Quis o destino brincar com a pobre anciã quando justo nesse momento um dos discípulos do mestre vilão (o cabeçudo esquisito) passa ali por perto e escuta os comentários. Doggy leva uma surra do grandão surdo-mudo e a Vovó (já pressentindo o pior) resolve mandá-lo, junto com a armadura, até um mestre excêntrico, um antigo pretendente seu da juventude.


Esse mestre excêntrico é Ko But Lee (Leung Kar Yan), um velhinho cientista que alimentou a vida toda um grande amor pela Vovó. Enquanto Doggy tenta convencer o velho a ensiná-lo kung fu, Tung Fu vai até a Vovó pegar a armadura. Ela resiste bravamente mas, que peninha, ela não é páreo pra ele. Mestre Ko vai agora ajudar Doggy a conseguir vingança ensinando a ele um estilo insano de kung fu, que inclui quebrar pedras, choques elétricos e marretadas nos joelhos e cotovelos pra desenvolver os reflexos e tornar os socos e chutes muito mais potentes.


O filme é sustentado pelo divertido tripé Doggy-Vovó-Tiger. Doggy é atrapalhado e é o netinho querido da Vó. Suen Kwok Ming é um ótimo dublê e muito carismático também. A Vovó é super meiga, emotiva e apesar da idade avançada é um monstro no kung fu, extremamente ágil. Esse é, com certeza, o melhor papel que Chiang Sheng já fez, o mais gracioso e o mais engraçado. Impossível não se emocionar ao ver a velhinha com os olhos cheios de lágrimas ao assistir uma peça de ópera, lágrimas de verdade! Tiger é a fortaleza em pessoa, ninguém consegue transpor a corpulência dela. A atriz se movimenta muito bem apesar do tamanho avantajado e também é bastante simpática. Pena que ela some na metade do filme, ela se retira pra fazer uma dieta e não volta mais. As lutas são ótimas, bastante ligeiras e precisas, com golpes violentos e quedas espetaculares e são potencializadas pelo talento dos atores e dublês. Leung Kar Yan não luta nesse filme, mas em compensação faz muito bem o papel do velho pervertido e apaixonado que sonha em levar a Vovó pra cama.


Como eu disse no início, há um problema conceitual com os títulos e eu acho que ficou óbvio o motivo. Ninguém pratica o kung fu bêbado, na verdade ninguém bebe nesse filme. Mas o título Exciting Dragon talvez possa ser justificado. Numa cena, Doggy está dormindo e o mestre Ko fica ditando uns comandos no ouvido dele e de repente ele começa a falar de pênis, esperma...aí ele se dá conta de que está lendo um livro pornográfico e tenta consertar tudo, mas já é tarde demais e Doggy está tendo uma ereção. A julgar só por essa cena, Exciting Dragon me parece bem mais apropriado, hehehe.

Nota: 9.0

sexta-feira, 12 de outubro de 2007

Return Of The Chinese Boxer [1975]



Companhia: Cheng Ming Film Co.
Diretor: Jimmy Wang Yu
Diretor(es) de ação: Hsieh Hsing
Elenco: Jimmy Wang Yu, Kam Kong, Lung Fei, Sit Hon, Wong Wing Sang, Hsieh Hsing, Ricky Cheng Tien Chi, Blacky Ko Sau Leung, Chui Chung Hei, Lui Jun, Jack Long, Philip Ko Fei.

"— Oh, japanese monks! They like girls?
— Haha, that's why Japan has so many monks!"


Seguindo uma lógica comum a muitos filmes de kung fu, Return Of The Chinese Boxer não é bem uma continuação de seu predecessor The Chinese Boxer (1971). Esse último foi a estréia de Wang Yu na cadeira de diretor, ainda na Shaw Brothers, antes de romper o seu contrato e levar uma surra de Sir Run Run Shaw na justiça. Jimmy foi processado e, tendo perdido, foi proibido de fazer filmes em Hong Kong por algum tempo. The Chinese Boxer foi uma espécie de marco na história do gênero por ser o primeiro filme de kung fu propriamente dito, com combates desarmados, e foi um ótimo trabalho de direção do estreante Jimmy. Aliás, tenho que fazer justiça à mente criativa dele e ROTCB é mais um exemplo das bizarrices que ele engendrava tão bem.



A única coisa em comum entre esses dois filmes é o sentimento anti-japonês, tema muito comum em se tratando de Jimmy Wang Yu. A história é um pouco lenta, com muitos diálogos lentos, mas são os “pequenos” detalhes que fazem esse filme valer a pena. Frases de efeito, lutas com zumbis, rituais macabros japoneses, Lung Fei bancando o “spaghetti-western samurai” com suas armas de fogo ultra modernas, uma samurai disposta a sacrificar seu próprio corpo pela causa (essa é pra vocês, homens!), a óbvia atração de Wang Yu por lutadores tailandeses sujos, descalços, com roupas chamativas e que fazem dancinhas ridículas, entre várias outras coisas. Ele já explorou esse “universo” tailandês em pelo menos mais dois filmes: One Armed Boxer (1971) e na continuação (esse sim!) Master Of The Flying Guillotine (aka One Armed Boxer 2, 1976), todos escritos e dirigidos por ele.


É isso aí, aderindo à moda das “rapidinhas”!

Nota: 8.0


[Trailer]